domingo, 3 de julho de 2011

1º desafio de Mano, Brasil larga em busca do tri campeonato da Copa América

CAMPANA (Argentina) - Agora é pra valer! Depois de cinco vitórias, duas derrotas e um empate nos oito amistosos que teve em 11 meses de trabalho, Mano Menezes faz sua estreia em competições oficiais pela Seleção Brasileira neste domingo, às 16h (de Brasília), contra a Venezuela, em La Plata, na Argentina. A Copa América é o primeiro grande teste do treinador no comando do time verde e amarelo. E esse desafio oficial pode dar o tom da caminhada rumo à Copa do Mundo de 2014.
O Brasil busca o inédito tricampeonato. E ao contrário das duas últimas edições, em que foi campeão, mas com uma seleção cheia de reservas, desembarca na Argentina com força máxima. Em um trabalho de renovação, Mano Menezes aposta em jovens como Neymar, Ganso e Alexandre Pato, todos com idade olímpica ainda. Do outro lado, uma Argentina mordida pelos últimos fracassos e cheia de estrelas como Messi, Tevez e Agüero.
- Não tenho me sentido nem mais nem menos pressionado do que me sentia com a responsabilidade de ser técnico de nações proporcionalmente diferentes, como a nação do Tricolor gaúcho, o Grêmio, e a República Popular do Corinthians. Todos sentem que o técnico tem toda a responsabilidade e passam essa pressão por causa dos resultados. É inerente aos nossos cargos – declarou o técnico do Brasil.
É fato, porém, que o trabalho na Copa América pode influenciar diretamente no projeto para 2014. Especialmente porque a aposta de Mano Menezes é justamente em um grupo jovem, capaz de chegar com experiência em 2014. E as estrelas nesse caso são Paulo Henrique Ganso e Neymar, apoiados também em Robinho, Daniel Alves e Alexandre Pato e nos experientes Julio César e Lúcio.
Antes da Copa do Mundo do ano passado, na África do Sul, houve uma comoção nacional por Ganso e Neymar na Seleção Brasileira. Mas Dunga não atendeu ao apelo e manteve os dois fora da sua convocação. Um ano e um dia depois da eliminação para a Holanda, os dois garotos santistas concentram a maioria dos holofotes que cercam a equipe canarinho. Mas eles evitam falar do sucesso individual e destacam o grupo.
- Não sou o centro das atenções, sou apenas mais um querendo ajudar a Seleção Brasileira e querendo começar uma história nela. A minha função é deixar os atacantes na cara do gol – declarou Ganso, o camisa 10 do Brasil.
O confronto entre Brasil e Venezuela será transmitido ao vivo pela TV Globo, Sportv e GLOBOESPORTE.COM, que também acompanha a partida em tempo real.
O novo Brasil e a esquecida Venezuela
Mano Menezes teve 13 dias para preparar a Seleção Brasileira para a Copa América. Pouco tempo, é verdade. E até por isso, o treinador resolveu apostar no esquema da melhor apresentação do time sob o seu comando: o 4-3-3 da estreia contra os Estados Unidos, em agosto de 2010, em Nova Jérsei. Vitória por 2 a 0.
Do time que entrou em campo naquela ocasião, apenas duas mudanças para o jogo deste domingo, contra a Venezuela. Saiu o goleiro Victor para a entrada de Julio César e o zagueiro David Luiz para a chegada de Lúcio. Os dois preteridos, no entanto, seguem no grupo comandando por Mano Menezes e estão na Argentina.
A principal força dessa Seleção Brasileira, no entanto, é o ataque. Com Paulo Henrique Ganso na criação, o técnico verde e amarelo aposta na ousadia e na alegria de Neymar, que tem como companheiros Robinho e Alexandre Pato. É o novo quarteto mágico do Brasil, a aposta de Mano em busca do futebol bonito.
- Quero o que eles têm de melhor. E cabe a mim encontrar a maneira de posicioná-los em campo para que se tenha o melhor. A diferença é que na Seleção todos têm a pretensão de ser o melhor e a maioria é realmente melhor. Você tem mais repartida a questão da responsabilidade. Isso é vantagem – analisou o técnico.
Venezuela tem dúvidas para montar o ataque
Mano e os jogadores da Seleção Brasileira não acham que vão ter vida fácil na estreia diante dos venezuelanos. Mas tal pensamento faz sentido ao observar o elenco dos rivais deste domingo. Dos 23 convocados pelo técnico César Farias para a Copa América, sete atuam na Europa. Destaques para o meia Juan Arango, do Borussia M'gladbach, da Alemanha, e para os atacantes Nicolás Fedor, do Getafe, e Salomón Rondón, do Málaga.
Para a partida diante dos brasileiros, Farias tem duas dúvidas para montar o time. E as alternativas são justamente no ataque. O comandante tem quatro opções para duas vagas no ataque venezuelano. Fedor, Rondón, Maldonado e Arango disputam posição para o confronto de estreia, em La Plata, que fica a 60 km da capital Buenos Aires.

Desembargador do Maranhão irá representar contra lei estadual de contratação temporária de pessoal


Durante sessão das Câmaras Cíveis Reunidas, na sexta-feira (dia 1º), o desembargador Marcelo Carvalho anunciou que irá representar junto ao procurador-geral da República, alegando a inconstitucionalidade da lei estadual que dispõe sobre contratação temporária de pessoal (Lei n.º 6.915/1997). O magistrado vai propor o ajuizamento de ação com base em decisão unânime do Supremo Tribunal Federal (STF), de abril passado, que declarou inconstitucional lei semelhante do Estado do Amapá.
Carvalho disse que, a exemplo do Amapá, o Maranhão também autoriza a contratação de pessoal por tempo determinado. Explicou que a decisão do STF, em ação direita de inconstitucionalidade (Adin), julgou que a lei amapaense viola normas da Constituição da República, ao considerar de excepcional interesse público a contratação temporária de profissionais para prestação de serviços permanentes nas áreas de saúde, educação, assistência jurídica e outros.
A decisão de representar contra a lei maranhense leva em conta procedimentos recentes do Estado. De acordo com mandados de segurança ajuizados pelos candidatos excedentes, em março do ano passado o governo convocou para nomeação todos os candidatos aprovados e classificados (dentro do número de vagas) em concurso público para 5.190 cargos de professor da educação básica, de ensino fundamental, médio e educação especial. Pouco tempo depois realizou dois processos seletivos para contratação temporária também na área de educação.
Os desembargadores do TJMA divergem a respeito do pedido de candidatos aprovados fora do número de vagas do concurso, que têm pleiteado a nomeação por meio de mandados de segurança. Dos 24 desembargadores do Pleno e dos 12 das Câmaras Cíveis Reunidas, a maioria entende que os excedentes não têm direito à nomeação enquanto novas vagas efetivas não forem criadas. Já a minoria argumenta que quando o Estado contrata temporariamente admite haver necessidade de mais profissionais e, portanto, deveria criar mais vagas.
Ocorre que, dependendo da composição das Câmaras Cíveis Reunidas em determinadas situações – períodos de férias ou licenças de alguns desembargadores – acaba prevalecendo o entendimento dos que são favoráveis à nomeação dos concursados excedentes, quando os magistrados que se posicionam assim estão em maior número na sessão. Marcelo Carvalho explica que a mudança de decisão é possível porque ainda não existem decisões sumuladas ou de tribunais superiores que adotem uma das duas posições.
Carvalho entende que a matéria é de competência do STF, porque viola a Constituição Federal. “O que nós queremos é que o Supremo verifique que essas contratações temporárias de professores no Maranhão, obviamente, ferem princípios constitucionais, principalmente aquele do artigo 37. Há necessidade de se atender, enquanto tiver concursado, de se nomear aquele que passou no concurso”, opinou.
O desembargador Jorge Rachid defende a regra constitucional de aprovação em concurso para ingresso no serviço público e não vê contradição no fato de votar pela denegação dos mandados de segurança ajuizados pelos candidatos excedentes neste caso. Rachid argumenta que não havia mais vagas efetivas para os concursados excedentes. “Não é porque o Estado abriu vagas para contratação temporária, que isso dá direito de ingresso (ao excedente), porque não foi aberto número suficiente de vagas”, explicou Rachid, enfatizado que as vagas abertas no processo seletivo são provisórias.
Os quatro mandados de segurança ajuizados por candidatos aprovados excedentes, todos relatados pela desembargadora Raimunda Bezerra, foram concedidos por maioria de votos na sessão desta sexta das Câmaras Cíveis Reunidas.
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Assessoria de Comunicação do Tribunal de Justiça do Maranhão

sábado, 2 de julho de 2011

Concurso da cidade de Coroatá

Prefeitura de Coroatá, Estado do Maranhão, publicou edital de concurso público destinado ao provimento de vagas. O concurso de Coroatá oferece 687 vagas em cargos de nível fundamental, médio e superior. Os salários variam entre R$ 545,00 e R$ 927,40, com carga horária de 25 a 40 horas semanais. Do total de vagas 5%, será reservada a portadores de deficiência.
Candidatos que tem o Ensino Fundamental podem concorrer ao cargo de Guarda Municipal.
Quem tem o Ensino Médio pode disputar a vaga de Assistente de Administração.
Para quem possui o Nível Superior as chances são para Professor.
Inscrições
As inscrições presenciais serão realizadas no Centro Comunitário, Rua do Sol, s/n, Centro, até o dia 22 de julho de 2011, das 08:00h às 12:00h e das 14:00h às 17:30h.
Já as inscrições via Internet, será através do endereço eletrônicowww.institutoludus.com.br, até o dia 22 de julho de 2011.
A taxa de inscrição varia de R$ 35,00 a R$ 55,00, de acordo com o cargo.
Provas
As provas objetivas serão realizadas dia 28 de agosto de 2011, na cidade de Coroatá-MA, no horário das 08h00min às 12h00min (resguarda-se que as provas, em razão fatores supervenientes, poderão ocorrer em dois turnos), até 07 dias antes a data da realização das provas, será divulgado, na sede da Prefeitura de Coroatá (MA) e na página do Instituto Ludus (www.institutoludus.com.br) os locais das provas.
O gabarito será divulgado no dia 30 de agosto de 2011, a partir das 18:00h.
Validade
A validade do concurso de Coroatá será de 02 anos a contar da data da publicação da homologação na imprensa oficial, podendo ser renovado por até igual período, mediante ato do Poder Executivo, observada a conveniência e oportunidade da Administração.

Polícia Federal na mira de Hacker


O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, determinou que a Polícia Federal abra inquérito para a apurar a violação do e-mail pessoal da presidente Dilma Rousseff durante a campanha eleitoral do ano passado. As mensagens da petista, então candidata à Presidência da República, foram violadas em um ataque em outubro.
De acordo com reportagem do jornal Folha de S.Paulo, o hacker, que se identificou como Douglas, copiou os e-mails de uma conta pessoal antiga de Dilma no portal UOL. Ele conseguiu quebrar o acesso depois que, segundo ele, instalou um programa para coletar senhas em um laptop pessoal que a presidente usava durante a campanha.
O hacker, conforme a reportagem do periódico, tentou vender as mensagens pessoais para políticos. O Correio apurou que, até a última quarta-feira, Douglas continuava buscando um comprador para os dados, sem sucesso. Na lista de pessoas procuradas pelo hacker, estaria o ex-deputado e presidente do DEM do Distrito Federal, Alberto Fraga. Para repassar os documentos, Douglas pediu R$ 300 mil.
Fontes do DEM relataram que esse mesmo hacker encontrou-se com Fraga pessoalmente no começo do mês, no escritório do partido. O ex-deputado, de acordo com o relato ouvido pelo Correio, rejeitou a proposta. Antes da investida ao Democratas, Douglas tentou encontrar um comprador para as mensagens de Dilma no PSDB, ainda no ano passado, durante a disputa eleitoral.
Segundo fontes da PF, que monitora o caso, Douglas disse às pessoas procuradas para vender os dados que também conseguiu acessar contas de caciques petistas graças a um roubo feito no site do partido há mais de um ano.
O ataque ao e-mail de Dilma ocorreu depois de o hacker invadir os servidores do PT em abril do ano passado e instalar uma ferramenta virtual para roubar informações detalhadas de vários petistas. Na época, a PF foi acionada, mas não encontrou nada. Em posse desses dados, Douglas disse que acessou também o e-mail pessoal do ex-ministro José Dirceu. Essa invasão ocorreu na madrugada da última segunda-feira. Pela manhã, Dirceu registrou um boletim de ocorrência.
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, cobrou ontem punição para o hacker. "Tem que haver uma verificação por parte da Polícia Federal e dos órgãos competentes. E, claro punição aos culpados por acessos indevidos", afirmou. O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), defendeu melhoria na segurança da informação. "Temos que responsabilizar quem viola e acessa dados indevidamente. Dilma não era presidente à época, mas isso não tira a gravidade do fato", disse o petista.

Desempregado

A reportagem do Correio conversou pelo telefone com a mãe do rapaz, que tem 21 anos e mora sozinho. Segundo a mulher, ela não tem contato com Douglas desde quarta-feira. Para não ser encontrado, o hacker troca o número de celular periodicamente. O Correio apurou que o rapaz, atualmente desempregado, trabalhava com tecnologia da informação na iniciativa privada. O último emprego foi em uma agência de publicidade em Taguatinga.
José Serra
Perfil de Serra no Twitter é invadido
A conta de José Serra (PSDB) foi invadida na noite da última quinta-feira, quando apareceram mensagens "esquisitas", segundo informou a assessoria do ex-governador de São Paulo. Os tuítes foram apagados poucos minutos após serem publicados. Em um deles, o invasor divulgou um link que levava a uma página com a seguinte frase: "Twitter do governador Serra foi hackeado". Em outro texto, havia uma nota parabenizando o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, homenageado no mesmo dia no Senado pelos seus 80 anos, completados no último dia 18.

“Itamar Franco”: Morre um Titan da Política do Brasil

O senador e ex-presidente Itamar Franco morreu neste sábado, aos 81 anos, no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. Ele foi diagnosticado com leucemia e estava internado desde o dia 21 de maio. Na sexta-feira, o estado de saúde do ex- presidente piorou e foi levado para a UTI, com pneumonia grave. De acordo com o boletim médico divulgado na sexta-feira, Itamar respirava por aparelhos.
Itamar Augusto Cautiero Franco talvez seja o único mineiro que tenha nascido em alto-mar. Foi em junho de 1930, quando sua mãe viajava em um navio do Rio de Janeiro para Salvador e por isso foi obrigada a registrar o filho na capital baiana. No ano seguinte, o "erro" seria corrigido com o registro da certidão de batismo, que traz Juiz de Fora como sua verdadeira terra natal.
Na cidade mais importante da Zona da Mata mineira Itamar viveu a infância e a juventude ao lado da maior parte de sua família. Era órfão do pai, que morreu antes que ele nascesse. Descendente de italianos, a mãe Itália Cautieiro passou um dobrado para manter a família com a venda de marmitas. Ela morreu em 1992, vinte dias antes da posse oficial do filho caçula como presidente da República do Brasil. Mas essa é outra história.
Itamar gostava de jogar basquete. No fim da adolescência, escolheu seguir a profissão do pai e formou-se em Engenharia Civil e Eletrotécnica na Universidade Federal de Juiz de Fora. No entanto, a militância estudantil no Diretório Acadêmico foi mais prolífica do que a lida com planilhas e cálculos, ainda que no início da carreira o tino para a política tão parecesse algo tão definitivo: aos 28 anos candidatou-se a vereador pelo PTB e perdeu as eleições. O mesmo ocorreu quatro anos depois, quando tentou ser vice-prefeito.
Por ser amigo do governador mineiro Magalhães Pinto, sobreviveu ao golpe de 1964 e não foi cassado, como ocorreu com a maior parte dos colegas do PTB. A primeira vitória chegaria em pouco tempo. Filiado ao MDB, foi escolhido prefeito de Juiz de Fora em 1966, feito que se repetiria em 1972, ao ser reeleito. Como administrador da sua cidade de coração, dividiu a experiência de poder com figuras que vinte anos depois escolheria para ocupar cargos chaves no Planalto Central, como o professor Murilo Hingel (futuro ministro da educação), Mauro Durante (futuro secretário-geral), Djalma Moraes (Comunicações), Alexis Stepanenko (Planejamento) e a família de Henrique Hargreaves (Casa Civil). No governo federal, formariam juntos o núcleo daquela que viria a ser conhecida conhecida como a República de Juiz de Fora, ou República do Pão de Queijo. Mas ainda chegaremos lá.
Itamar Franco era daqueles tipos de líder que não se isolam na hora de tomar decisões - no seu caso, quase todas cheias de suspense e emoção. Preferia estar cercado por colaboradores e mantinha o hábito de consultar pessoas simples - do garçom do cafezinho à faxineira - para arejar a mente ao ser desafiado a tomar medidas complexas. Já era assim em 1974, quando exercia o segundo mandato como prefeito e decidiu renunciar para concorrer ao Senado pelo mesmo MDB. A decisão final só veio depois de ouvir a opinião do seu motorista, minutos antes do prazo.
- A vontade dele sempre prevalecia no final, apesar de ser um bom ouvinte e não ter vergonha de voltar atrás - lembra e contemporiza o fiel escudeiro Henrique Hargreaves.
Naquele tempo também era possível observar os primeiros sinais da estrela que carregaria por toda vida: algo que muitos chamariam de senso de oportunidade, outros classificariam como pura sorte. As chances de vitória na disputa pelo Senado eram as mais remotas. O candidato natural do MDB era Tancredo Neves, mas o mineiro temia perder para o candidato do partido do Regime Militar, a Arena, por isso lançou Itamar ao sacrifício. Na hora das urnas, a oposição surpreendeu em todo o Brasil. Itamar foi eleito por Minas e repetiu a dose em 1982, com o partido já renomeado como PMDB.
Perdeu o controle da legenda em Minas em 1986 e tentou o governo do Estado pelo PL. Mas foi derrotado por Newton Cardoso, justamente o candidato do PMDB. Voltou para o Senado e encerrou o mandato com a participação na Assembleia Constituinte de 1987 no currículo.
Desde a época em que era prefeito, Itamar gostava de dizer que se considerava um político de esquerda, embora pouquíssimas vezes tenha composto com os partidos mais tradicionais deste campo. Foi mais eficiente que os colegas na hora de reforçar a imagem de político com postura pública marcada pela seriedade e a austeridade. Surpreendeu a muitos correligionários quando aceitou ser vice candidato na chapa de Fernando Collor (PRB) à Presidência, em 1989. Mas era a única e melhor chance de alcançar o cargo máximo da República, o que viria a acontecer em pouco tempo.
O temperamento intempestivo do mineiro e do cabeça da chapa não poderia ter outro resultado: desde a campanha os dois se desentendiam com frequência e o clima não ficou melhor quando Collor assumiu o cargo. Itamar sempre foi uma pessoa difícil de lidar. Não era vaidoso. Mas orgulhoso, sensível a críticas e muito agarrado às suas causas. Achava que era perseguição Collor escolher justamente a Usiminas na primeira etapa de um processo de privatização, ao qual se opunha inicialmente. Quando contrariado, tremia até o topete (mantido desde a juventude e sem adição de produtos de beleza, garantem os mais próximos).
Um ano e meio depois da eleição, escândalos de corrupção envolvendo pessoas diretamente ligadas ao presidente começaram a manchar o mandato e meses antes do impeachment de Collor Itamar percebia que a situação era insustentável. Naquela época já reunia auxiliares para que diagnosticassem os principais problemas do país e iniciassem um desenho do que poderia vir a ser o seu governo. Com o afastamento definitivo de Collor, assumiu o cargo apoiado por um amplo leque partidário, num esforço claro para manutenção da ordem democrática há tão pouco tempo conquistada.
- Pode orgulhar-se a Nação capaz de dominar as suas mais graves crises políticas na ordem da Lei. Sábio é o povo que, na conquista e preservação de sua própria liberdade, expressa veemência no clamor das ruas e na serenidade de seus atos - discursou pela primeira vez na TV como presidente, às vésperas da passagem de 92 para 93.
Apesar da amplitude de apoio ao seu governo, o núcleo duro era mesmo formado pelos amigos do tempo de Juiz de Fora, somados a poucos parceiros da época do Senado, como Maurício Corrêa, que viria a ser nomeado ministro da Justiça. Não havia outro jeito, afinal, conhecia pouca gente no Rio ou São Paulo, e não tinha canais com o mundo acadêmico, empresarial ou sindical. Até mesmo no mundo político sua base era considerada precária e pouco capilarizada. Ainda assim Itamar foi hábil suficiente para garantir a estabilidade política do país depois do maior escândalo político da vida nacional.
O núcleo estava sempre por perto e o aconselhava, mas não foi capaz de evitar um dos episódios mais curiosos do período. Com o suspeito argumento de que o último presidente a participar do carnaval teria sido Hermes da Fonseca, em 1913, Itamar partiu para o desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro em fevereiro de 1994, onde protagonizou cena inesquecível ao lado da "modelo" cearense Lilian Ramos, de 27 anos. O encontro ficou famoso por causa de uma ausência: a calcinha da jovem com quem sambou, trocou palavras de pé de ouvido e até telefones. Jantariam na noite seguinte, se a imagem do presidente da República em flerte explícito com uma mulher seminua não tivesse rodado o mundo e instalado uma crise que, no fim das contas, só serviu para encerrar abruptamente o romance.
No seu governo a população participou do plebiscito que reafirmou a escolha do regime presidencialista para o país. Promoveu o fim da hiperinflação (que chegava a 1.100% em 1992) ao executar o Plano Real. A medida foi gestada por quase um ano por um grupo de economistas e colocado a cabo pelo sociólogo Fernando Henrique Cardoso, indicado por Itamar para o Ministério da Fazenda. O plano garantiu a normalização da atividade econômica e permitiria, e nos anos seguintes, a retomada do desenvolvimento econômico e social do Brasil. Esta conquista sempre foi até o fim da vida o seu maior motivo de orgulho.