domingo, 23 de setembro de 2012

Maranhense tem a segunda pior média de renda do país

Do O Imparcial

Apesar dos avanços, os maranhenses ainda enfrentam uma dura realidade, pois têm a segunda pior média de renda mensal do Brasil, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2011, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com o estudo, o rendimento médio no estado é de apenas R$ 602,00, vindo em último lugar o Piauí, onde esta renda mensal é de R$ 600,00, enquanto no Distrito Federal, o primeiro colocado, esta média é de R$ 2.623.

De acordo com a pesquisa, os maranhenses com idade acima dos 10 anos são 5 milhões 422 mil, sendo que deste 3 milhões 136 mil estão na idade economicamente ativa. Quando da realização da pesquisa, 2 milhões 937 mil estavam ocupados, sendo que destes 23,26%, ou seja, 683 mil não tem instrução ou têm no máximo um ano de estudo. O percentual dos que têm mais de 15 anos de estudo é de apenas 5,31%, isto é, 156 mil. Instruídos de um a três anos são 281 mil (9,58%), de quatro a sete anos, 581 mil (19,79%), de oito a dez anos, 451 mil (15,37%), de onze a quatorze anos 781 mil (26,58%).

De acordo com o PNAD, 1 milhão 270 mil maranhenses, ou seja, 43,24% da população economicamente ativa, vivem com uma renda de no máximo um salário mínimo, sendo que 575 mil (19,57%) ganham até meio salário mínimo. Situação agravante é de 744 mil (25,33%) que não tem renda nenhuma. Apenas 7 mil (0,25%) vivem com renda acima de 20 salários mínimos.
O estudo também apontou que o Maranhão é o estado menor índice de domicílio com computadores ligados à internet, vindo à sua frente o Piauí com 12,82%, Pará (15,96%), Alagoas (18,53%) e Ceará (18,56%) formando o grupo dos cinco piores. Distrito Federal (60,39%), São Paulo (51,83%), Santa Catarina (46,77%), Rio de Janeiro (45,14%) e Paraná (41,86%) formam o grupo dos cinco melhores pontuados.

Pesquisa

O rendimento médio mensal real do trabalhador brasileiro cresceu 8,3% entre 2009 e 2011. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2011 (Pnad), divulgada hoje (21) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o valor chegou a R$ 1.345. Os maiores aumentos no rendimento foram registrados nas regiões Nordeste (10,7%) e Centro-Oeste (10,6%), sendo esta última a que concentra o maior valor do país: R$ 1.624. Já a Nordeste, apesar do crescimento, continuou sendo a que apresenta o pior rendimento médio: R$ 910.

Além disso, segundo a Pnad, os rendimentos registraram maior crescimento entre os mais pobres. A parcela dos 10% mais pobres da população teve o maior aumento (29,2%), enquanto o 1% mais rico teve 4,3% de crescimento. Com isso, a diferença entre os dois estratos populacionais caiu, apesar de continuar grande. De acordo com a pesquisa, a média dos rendimentos dos mais ricos era 87 vezes maior do que a dos mais pobres, em 2011. Em 2009, a proporção era 107.
“A gente observa que os maiores aumentos aconteceram, de forma geral, nas classes de rendimento mais baixo. Isto é, as pessoas que recebiam menos tiveram mais ganhos do que aquelas que recebiam mais. Isso tem um reflexo direto no índice de concentração de rendimentos, que a gente mede por meio do índice de Gini. Quase todas as regiões do país tiveram redução desse índice”, disse a gerente da Pnad, Maria Lucia Vieira.

O índice de Gini varia de 0 a 1. Quanto mais próximo de 1, maior é a desigualdade na distribuição de renda na região. O índice brasileiro caiu de 0,518 em 2009 para 0,501 em 2011.
“Isso vem acontecendo nos últimos anos principalmente em virtude dos elevados aumentos do salário mínimo. O salário mínimo puxa a parte de baixo [dos estratos de renda]. Embora o salário daquele pessoal mais pobre nem chegue a um salário mínimo, ele serve como referência e puxa um aumento para cima”, diz Fernando de Holanda, economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV).

A queda do índice de Gini ocorreu em quatro regiões brasileiras. A exceção foi a Norte, onde a média do rendimento dos mais pobres se afastou da dos mais ricos. No Norte, o índice subiu de 0,488 para 0,496, mostrando que a desigualdade na distribuição de renda aumentou.
A Pnad mostrou ainda que as diferenças de rendimento entre homens e mulheres persistem no país, apesar de terem diminuído entre 2009 e 2011. O rendimento médio das mulheres, em 2011, foi R$ 997, ou seja, 70,4% da média recebida pelos homens (R$ 1.417). Em 2009, o valor recebido pelas mulheres representava apenas 67,1% do rendimento masculino.

Na avaliação por categorias de emprego, os militares e empregados públicos estatutários tinham rendimento médio de R$ 2.289, enquanto o dos trabalhadores domésticos sem carteira assinada era R$ 424. Nas demais categorias, os rendimentos observados pela Pnad foram: empregados com carteira assinada (R$ 1.303), empregados sem carteira assinada (R$ 829) e trabalhador doméstico com carteira assinada (R$ 693).

SAIBA MAIS

O Rendimento de trabalho cresceu 8,3% em dois anos.Em 2011, o rendimento médio mensal real de todos os trabalhos das pessoas de 10 anos ou mais de idade, ocupadas e com rendimento, cresceu 8,3% em relação a 2009, passando de R$ 1.242,00 para R$ 1.345,00. Todas as grandes regiões tiveram aumento: Norte (7,7%; R$ 1.100,00), Nordeste (10,7%; R$ 910,00), Sudeste (7,9%; R$ 1.522,00), Sul (4,0%; R$ 1.461,00) e Centro-Oeste (10,6%; R$ 1.624,00). Quando consideradas todas as fontes, o rendimento médio mensal real das pessoas com rendimento apresentou ganho de 4,6%, atingindo o valor de R$1.279,00. O rendimento médio mensal real dos domicílios particulares permanentes com rendimento foi estimado em R$ 2.419,00 em 2011, representando um ganho real de 3,3% em relação ao de 2009 (R$ 2.341,00). Todas as classes de rendimento tiveram crescimento, especialmente as classes mais baixas, o que resultou na diminuição da concentração, representada pela queda do índice de Gini de 0,509 em 2009 para 0,501 em 2011. Houve aumento do rendimento domiciliar em todas as grandes regiões, sendo que o Centro-Oeste apresentou o maior aumento (6,6%), além de ser, entre as regiões, a que possuía o maior valor (R$ 2.936,00). O Nordeste registrou a menor variação (2,0%) em relação a 2009, assim como o menor valor (R$ 1.607,00).

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