terça-feira, 16 de setembro de 2014

DIRETOR DA CASA DE DETENÇÃO PRESO JÁ HAVIA SIDO INVESTIGADO POR FACILITAÇÃO

Claúdio Barcelos, preso na manhã desta segunda-feira (15) por suspeita de receber dinheiro para facilitar fugas e saídas de detentos da Casa de Detenção do Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís, respondeu pela direção da unidade por apenas oito meses. Tempo suficiente para serem abertos dois inquéritos pelo mesmo motivo que resultou em sua prisão.

De acordo com o secretário Estado de Justiça e Administração Penitenciária (Sejap), Sebastião Uchoa, ele foi nomeado para acompanhar as obras de reformas e reconstrução da Cadet, após a briga entre facções criminosas, em outubro do ano passado, que destruiu parte da estrutura e resultou na morte de dez detentos e em, pleno menos, 20 feridos.

"Há quatro meses, nós pedimos a abertura de um primeiro inquérito policial por possível indício de facilitação de fuga, mas as investigações não geraram nenhum tipo de indiciamento. Uma nova denúncia, então, veio. Mandamos no Serviço de Inteligência da Sejap investigar e, desta vez, foi possível constatar a autoria e materialidade do crime", disse o secretário.

Barcelos foi preso nesta segunda-feira (15), durante o horário de trabalho, na própria Casa de Detenção, em Pedrinhas. Ele será substituído pelo Noleto Gomes da Silva na direção da Cadet. Pastor Noleto, como é conhecido, era o diretor do Centro de Triagem, também em Pedrinhas. O substituto para a direção da Triagem ainda não está decidido, de acordo com o secretário de Estado de Justiça e Administração Penintenciária (Sejap), Sebastião Uchoa.

O titular da Sejap afirmou que a escolha para o cargo de diretor do presídio é feita a partir dos profissionais que já atuam no universo prisional, e que fizeram o Curso Avançado de Gestão Penitenciária, de 180 horas, oferecido pela escola de gestão penitenciária. "Cláudio Barcelos já prestava assistência jurídica aos presos da Casa de Detenção. Ele não aproveitou a oportunidade. É, inclusive, evangélico e levava as congregações religiosas toda semana para lá. Mas se for para servir a Deus pela metade, é melhor não servir”, concluiu.

Antes de ser diretor da Casa de Detenção de Pedrinhas, Barcelos foi assessor jurídico do Centro de Detenção Provisória de Pedrinhas (CDP), da Secretaria-adjunta de Justiça e assessor juríidico da Casa de Detenção.


Depoimento

O delegado que preside o inquérito, André Gossain, afirmou que Cláudio Barcelos admitiu durante o depoimento ter liberado quatro presos, mas nenhum por dinheiro em troca. "Ele afirma que eram detentos de boa conduta, e que também autorizava saídas temporárias, mas que ficava monitorando os beneficiados. Concidentemente, um dos presos voltava para o presídio quando o diretor era preso. Vamos ouvi-lo agora", afirmou o delegado.

As investigações contra o diretor da Cadet tiveram início em junho, quando a Superintendência de Investigações Criminais começou a perceber que presos que deveriam prestar depoimentos em audiências não compareciam porque haviam fugido, sem sequer a informação constar no sistema penitenciário. De acordo com o superintendente da Seic, Luís Jorge, as fugas não ocorreram coletivamente.

“A maioria dos detentos que fugiram da Cadet era assaltantes. Começamos a ver que bandidos que não tinham família aqui eram beneficiados com saídas temporárias de datas comemorativas e não retornavam, por exemplo. As fugas normalmente eram pela porta da frente, com alvará falso, ou de outros processos. Percebemos que tinha gente de dentro facilitando, pois era amador demais”, afirmou o superintendente.

As suspeitas ganharam maior sustentação há cerca de 20 dias, quando três homens que assaltaram um carro-forte em Sítio Novo, MA, fugiram. “Eles são de alta periculosidade. Fomos no sistema e vimos que eles estavam ativos, como se ainda estivessem presos. O diretor tomava decisões sem o conhecimento da 

Vara de Execuções Penais. Dava a sentença dos presos como se fosse o próprio juiz. Temos informações de que outros negociavam passar um fim de semana fora, uma semana fora, e depois voltavam. Ele ligava para os presos avisando para retornar, pois teria recontagem”.

Fonte: G1.com/imirante

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